Rejeições célebres

Eis algumas das mais conhecidas (e lamentáveis) rejeições à publicação de livros célebres, feitas por editores que tinham pouca visão (ou muito azar).

 

“Posso estar morto do pescoço para cima, mas por mais que vasculhe meu cérebro eu não consigo ver porque um sujeito precisa de trinta páginas para descrever como ele se revira na cama antes de dormir.”

Marc Humblot, editor francês, em carta de 1912 rejeitando a publicação de
O caminho de Swande Marcel Proust.

 

Em 1911, Proust tinha 800 páginas do que viria a se tornar a série Em busca do tempo perdido prontas para publicação. Ele buscou a editora Fasquelle e foi rejeitado. Foi então para a Nouvelle Revue Française e foi rejeitado de novo, por um avaliador muito especial: André Gide. Após outra frustração (na Ollendorf), Proust decidiu pagar pela publicação.

Eugène Grasse publicou Du côté de chez Swann em 1913. Gide leu o livro e em seguida escreveu a Proust desculpando-se pela rejeição, que chamava de “o mais grave erro da N.R.F, […] um dos mais ardentes arrependimentos, remorsos da minha vida”. Ele explicou que havia tomado Proust por um janota esnobe e por isso tinha passado os olhos desleixadamente no manuscrito. Ele pediu perdão a Proust e o convidou a editar os volumes seguintes na N.R.F. Proust perdoou, tornou-se amigo de Gide, mas publicou À l’ombre des jeunes filles en fleurs (À sombra das raparigas em flor) pela Gallimard.

 

“A garota não me parece ter uma percepção ou sentimento especial que poderia alçar esse livro do nível de mera curiosidade.”

“É tolo e inoportuno lançar esse livro no imediato pós-guerra.” [avaliador da Editora Knopf]

Sobre O diário de Anne Frank

 

“De novo isso de Polônia e judeus.”

Sobre  Isaac Bashevis Singer

 

“Não há vantagem comercial em incluí-la no catálogo e, na minha opinião, nenhuma vantagem artística.”

Sobre Anaïs Nin

“Intrinsecamente intraduzível!”

Sobre Jorge Luis Borges

 

Eu não faço a mínima idéia sobre o que esse homem está tentando dizer […] Ao que parece ele intenciona ser engraçado — talvez satírico — mas na verdade não é engraçado em qualquer nível intelectual […]  Da sua longa experiência em edição, você vai saber que é menos desastroso recusar um trabalho de gênio que recusar mediocridades talentosas.

Sobre Ardil 22, de Joseph Heller 

 

“Certamente não há talento genuíno que dê para notar.”

Sobre Sylvia Plath 

 

“O autor deste livro está além de qualquer socorro psiquiátrico.”

Sobre Crash, de J. G Ballard

 

“É imensamente nauseante, mesmo para um freudiano esclarecido. Para o público, será revoltante. Não vai vender, e vai causar estrago em sua reputação[…] Me assombra o pensamento de que esse escritor pediu que isso fosse publicado. Eu recomendo que seja enterrado sob uma pedra por mil anos.” 

Sobre Lolita, de V. Nabokov

 

Não estamos interessados em ficção científica que lide com utopias negativas. Isso não vende.

Sobre Carrie, de Stephen King

 

“É impossível vender histórias com bichos nos Estados Unidos.”

“Não temos certeza de que este é o ponto de vista correto para criticar a situação política dos dias de hoje” [T. S. Eliot]

Sobre A revolução dos bichos, de George Orwell

 

“Sua prosa frenética e embaralhada expressa perfeitamente as viagens febris da geração Beat. Mas isso basta? Eu acho que não.”

Sobre Jack Kerouac

 

“Uma fantasia tola e desinteressante que era puro lixo e tédio.”

Sobre O senhor das moscas,  de William Golding